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HABITAR EM LUTA: CAMPANHA PARA LIVROS DE SUBVERSÃO - Daniel Mello

Atualizado: Jun 22

Título original: Uma campanha para apoiar livros que só existem em luta

Legenda: em matéria publicada em 21 de março de 2020 pelo Jornal de Beltrão a imagem acima se esclarece; "A Prefeitura de Francisco Beltrão fechou os acessos a cidade. [...] máquinas e funcionários colocaram tubos e barricadas em trevos e ruas. É possível entrar ou sair da cidade somente por quatro vias: a Avenida União da Vitória (Miniguaçu), a Atílio Fontana (Cidade Norte), a Porto Alegre (Alvorada) e a Avenida Dom Agostinho José Sartori (Água Branca). Nestes locais existem pontos para verificar veículos e pessoas que entram na cidade: a ideia não é proibir o acesso à cidade, mas checar quem vem de locais com casos confirmados de coronavírus e examiná-los. Além, de servidores, voluntários trabalham nestes acessos." 



Antes de encerrar a primeira Campanha de ajuda mútua que nós criamos para ocorrer ao longo do mês de maio, período histórico e mundialmente conhecido pelas lutas contra o status quo, o capitalismo, a autoridade, o Estado, a cultura conservadora, etc., recebemos de nosso querido amigo jornalista e militante Daniel Mello um texto que apresenta e reflete criticamente acerca da "ação direta" que se ergueu com a Habitar em Luta. Estamos chegando ao fim de maio e os esforços foram muitos, com a costumeira baixa adesão das livrarias aos nossos livros, o mercado livreiro em grande dificuldade no momento e os acessos para disseminação de conteúdo sempre difíceis para ações independentes e autônomas é uma felicidade muito grande poder ter alcançado inúmeras colaborações até aqui, como poderá ser percebido neste texto, que para nós é um presente!



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A GLAC edições é uma editora independente que ainda não cabe nas livrarias. Com um foco que os fundadores classificam como “lutas sociais”, as publicações não podem ser encontradas na maioria dos estoques e prateleiras comerciais. Por isso, nada mais natural que a estratégia de fazer esses livros militantes circularem, neste momento que o mundo todo tenta se recolher em casa, esteja diretamente ligada às formas de resistência e existência politicamente ativas.

A campanha Habitar em Luta convidou 36 parceiros e colaboradores para distribuir cupons nominais de desconto para suas redes de afeto, convivência e trabalho. Assim, é possível comprar qualquer livro em qualquer quantidade com um desconto de 20% sobre o preço de venda no site da GLAC edições. Do total que for faturado pela editora dessa forma, 10% será repassado a uma organização social escolhida pelos parceiros participantes.

Foram escolhidas 30 organizações, com diferentes formas e atuações, para receber os valores. Aqui, os interesses e o alcance do trabalho da editora podem ser medidos fora das estatísticas comerciais. Estão dentro da lista de beneficiários da inciativa um leque de organizações que passa pela rede de cursinhos populares Emancipa, a Comissão Guarani Yvyrupa, a Paróquia São Miguel Arcanjo, a Casa 1 e a Reaja ou Seja Morta(o).

Mostra-se assim, não só uma pluralidade das pautas envolvidas no projeto editorial, como também uma diversidade geográfica pelo território brasileiro. Sem perder de vista que a luta pelos direitos indígenas e LGBTQI+, pelo acesso à educação e contra o genocídio do povo negro, entre tantas outras, são temas de uma disputa global. Uma proposta que já aparece no nome da campanha, inspirado na publicação Um habitar mais forte que a metrópole, do agrupamento difuso e anônimo mexicano chamado Conselho Noturno.

Aqui, o grupo se apropriou de um slogan de luta usado na Itália em maio de 1977, que se opõe ao habitar visto apenas a partir das construções arquitetônicas. Um entendimento de que ser não é o mesmo do que possuir o espaço onde se reside. Um pensamento que segue em extrapolação até romper os limites das metrópoles, palavra que determina também o centro colonial que consomem os recursos obtidos com a exploração da natureza e da humanidade. Uma oposição radical à dinâmica do capital de destruição da vida.

Para trazer essa perspectiva ao presente e ao concreto, a GLAC propõe nesta campanha uma adaptação de uma fórmula que já está sendo usada pelo ramo editorial em uma tentativa de manter os projetos que, muitas vezes caminham no limite da sustentabilidade, a chamada Adote uma Livraria. Um dos temas que ganhou urgência pela pandemia, mas que talvez seja um importante caminho para dar força à ação política. Porque as manchetes não deixam dúvidas de que há um esgotamento dos métodos que vinham enfrentando o colonialismo.

Assim, onde as editoras buscam fortalecer as livrarias, ponto fundamental da intermediação entre a produção editorial e o público consumidor, a GLAC se volta para a matéria-prima do pensamento que estrutura suas próprias publicações. Uma visão de que publicações que não enchem prateleiras só têm espaço se fizerem sentido para as práticas de resistência que persistem no cotidiano adoecido das cidades e da floresta. Porque somente com o fortalecimento desses anticorpos do tecido social será possível continuar a existir para o futuro.


Legenda: esta foi a primeira imagem produzida pela GLAC edições a fim de tornar seu catálogo conhecido por meio da Campanha. A ideia com a pirâmide de livros foi simular um amontoado de objetos que pudessem lembrar uma base sólida que sustenta um todo, ao mesmo tempo que desejávamos trazer recordações para possíveis barricadas imaginárias.



É fundamental não perder de vista que a onda de destruição da pandemia não vem de um acidente natural, isso é resultado de uma estrutura social que canaliza tudo o que é fatal sobre as populações-alvo daquilo que conhecemos, agora, por políticas de morte. Algo que pode aparecer no concreto que não foi usado para fazer equipamentos de saúde, nas mesmas cidades onde o dinheiro pode disponibilizar coração e pulmões artificiais. Existe também como marcas nos corpos, que o jargão cientificista pode chamar de comorbidades, resultados de vidas gastas com trabalho e mantidas com ração contaminada.

Em oposição a essa exploração sistemática da natureza e da humanidade que faz parte dela, a a saída é experimentar estratégias que mantenham vivas as cabeças que abrigam as ideias para desbravar possibilidades melhores de mundo. Para assim entender quais modos de transmitir energias e recursos estão mais próximos daquilo que queremos e precisamos. Atravessar as turbulências tendo como bússola o esforço em direção à autonomia dos projetos e organizações.

A campanha segue até o dia 31 de maio. As instituições beneficiadas receberão os recursos após o faturamento das compras no site, no final de junho.

O ainda modesto mas potente catálogo da editora está disponível na página: www.glacedicoes.com

Segue a lista dos participantes, em ordem de adesão, e as instituições que decidiram apoiar em diálogo direito:

1˚ Fagulha Podcast, apoia Fagulha Podcast;

2˚ Jonnefer Barbosa, apoia Instituto Embarque;

3˚ Vinicius Honesko, apoia Instituto Embarque;

4˚ Jeanne Marie Gagnebin, apoia Instituto Embarque;

5˚ Razão Inadequada, apoia Paróquia São Miguel;

6˚ Acácio Augusto, apoia Paróquia São Miguel;

7˚ Coletivo Kasa Invisível, apoia Ocupação Kasa Invisível;

8˚ Andityas Soares, apoia Casa de Referência da Mulher Tina Marques;

9˚ Renan Porto, apoia Reaja ou Seja Morta(o);

10˚ Marcia Cunha, apoia Escola Ayodele Balé;

11˚ Nilton Ota, apoia Escola Ayodele Balé;

12˚ Escola Ayodele Balé, apoia Escola Ayodele Balé;

13˚ Camila de Moura, apoia Rede Emancipa;

14˚ Rede Emancipa, apoia Rede Emancipa;

15˚ Arthur Dantas, apoia Coletivo Florescer;

16˚ Claudio Medeiros, apoia Instituto Raízes em Movimento;

17˚ Victor Galdino, apoia Frente de Mobilização da Maré;

18˚ Augusto Jobim, apoia Elas Existem Mulheres Encarceradas;

19˚ Mari Messias, apoia Coletivo Conviva Diferente;

20˚ Jean Tible, apoia Comissão Guarani Yvyrupa;

21˚ Rita Velloso, apoia Movimento de Lutas no Bairros, Vilas e Favelas;

22˚ Lia Urbini, apoia Marmitas Solidárias;

23˚ João Gomes, apoia Conselho Indígena de Roraima;

24˚ Fabio Moura, apoia Associação Agroecológica ECOletivo;

25˚ Um anônimo, apoia Ocupação anônima do centro do Rio de Janeiro;

26˚ A Fita Podcast, apoia Mulheres da Luz;

27˚ Fellipe Dos Anjos, apoia SP Invisível;

28˚ Anderson Marinho, apoia Instituto Akhanda;

29˚ Lia Rodrigues, apoia Associação Redes de Desenvolvimento da Maré;

30˚ Benzina, apoia Frente de Mobilização da Maré;

31˚ Selo Sobinfluencia, apoia Brigadas Populares;

32˚ Mario Sagayama, apoia Casa 1;

33˚ Outras Palavras, apoia Uneafro;

34˚ Colunas Tortas, apoia Brigadas de Solidariedade de SP;

35˚ Jordi Carmona Hurtado, apoia Muda Pedregal;

36˚ Escola de Ativismo, apoia Grupo Mulher Maravilha.


Legendas: todos os cupons/imagens da Campanha que foram distribuídos e espalhados ao longo do mês de maio. O uso de qualquer um pode ser feito até meia noite de 31 de maio.



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Daniel Mello é jornalista formado pelo Uniceub-DF, cinegrafista pelo Senac-SP e fez especialização em fotografia pela Faap-SP. Trabalha como repórter desde 2009, onde cobre temas relacionados a políticas públicas e direitos humanos. Em 2015, estreou como codiretor e coprodutor do documentário USP 7%, sobre o racismo estrutural e a luta por cotas na Universidade de São Paulo. O filme recebeu o prêmio de aquisição do Canal Brasil no Cine Ceará e atualmente faz parte da grade da emissora. É um dos militantes do coletivo A Craco Resiste que atua contra a violência institucional na região da Cracolândia, no centro de São Paulo.


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