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(DES)APRENDER - Marina Guzzo





Legenda: 21 ações para mulheres e plantas. Ciclo de mini-vídeos danças produzidos durante a quarentena de Covid-19. Na foto: Angélica Evangelista, Jabuticabeira, no vídeo 19- "Educação".








"Hoje sei andar; porém, nunca mais poderei tornar a aprendê-lo". (Walter Benjamin, 1995)


“Desconstrução não diz que não há sujeito, que não há verdade, que não há história. Ela simplesmente questiona os privilégios de identidade de alguém que acredita ter a verdade. Ela não é a exposição do erro. Ela está, constante e persistentemente, buscando como as verdades são produzidas. (...) Desconstrução, se alguém necessita uma fórmula, é, entre outras coisas, uma crítica persistente do que uma pessoa não pode não querer" (SPIVAK, 1996).


"Obviamente, minha intenção não é escrever prescrições que devam ser rigorosamente seguidas (...)Pelo contrário, o que me interessa aqui, de acordo com o espírito mesmo deste livro, é desafiar seus leitores e leitoras em torno de certos pontos ou aspectos, insistindo em que há sempre algo diferente a fazer na nossa cotidianidade educativa, quer dela participemos como aprendizes, e portanto ensinantes, ou como ensinantes e, por isso, aprendizes também". (Paulo Freire, 2001)


"Um mundo onde ação e contemplação já não se distinguem é também um mundo onde matéria e sensibilidade - olho e luz - se amalgamam perfeitamente." (Emanuele Coccia, 2018)




(Des)aprender a ser humano

Dançar.

Ser planta.

Bicho

Pedra.

Fungo.

Menos bípede.

Mais monstra.

Rastejar, rolar, saltar, voar.

Uivar, latir, rosnar, babar, morder.

Gemer.


(Des)aprender a ser criança

Dançar.

Brincar.

Jogar.

Investigar.

Colocar o corpo todo como a própria realidade - a única possível.

Andar sob o fio.

Balbuciar.

Gaguejar.

Imaginar.


(Des)aprender a ser sério

Dançar.

Rir.

Gargalhar.

Chorar em público.

Amar em público.

Beijar em público.

Tocar em público.

Inverter a lógica.

Inverter o corpo.

Alegrar.


(Des)aprender a (des)aprender

Dançar.

Reconhecer seus privilégios.

Mudar de posição.

MIsturar sujeito e objeto.

"Aprender a aprender de baixo" (Spivak, 2004).

Compreender os diferentes tempos.

Mergulhar.

Decolonizar.



(Des)aprender a produzir

Dançar.

Praticar.

Respeitar o tempo dos processos.

Dos gestos menores.

Dos pequenos deslocamentos.

Das minhocas e das larvas.

Das coisas ínfimas.

Engajar.


(Des)aprender a perceber

Dançar.

Ouvir.

Sentir.

Rebolar.

Lamber.

Cheirar.

Comer.


(Des)aprender sobre o futuro

Dançar com os ancestrais.

Habitar as ruínas.

Encarar os escombros.

Desejar o presente.

Colocar pé ante pé nos cacos da civilização que criamos.

Permanecer.



Legenda: O projeto 21 ações para mulheres e plantas está disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Dg3_5_RR2wk&list=PLGLboizRUltHupTGazgQacLlFr4V2Vuy4




(Des)aprender a controlar

Dançar.

Honrar a experiência.

O desejo.

A agência.

A intuição.

A magia.

O encantamento.


(Des)aprender a resistir

Dançar.

Fortalecer.

Forjar alianças.

Desvendar territórios.

Construir pontes.

Reconhecer aliados.

Ver o invisível.


(Des)aprender a limpar

Dançar.

Encarar o lixo.

Lidar com o lixo.

Separar o lixo.

E compostar.


(Des)aprender a (des)iludir

Dançar.

Habitar a desilusão.

Reconhecer o que é sonho.

O que é luta.

O que é véu que cobre a realidade.

Plantar.


(Des)aprender a curar

Dançar.

Habitar a dor.

Reconhecer o quê da dor merece viver.

Acolher a dor.

Tratar o que é possível.

Recolher.

Esperar.

Cicatrizar.


(Des)aprender a florestar

Dançar.

Podar.

Trilhar.

Guardar as sementes.

Saber germinar.

Regenerar.

Proteger.

Expandir.


(Des)aprender a morrer

Cuidar-se.

Alongar-se.

Equilibrar-se.

Encantar-se.

Aterrar-se.

Espalhar-se.

Implicar-se.


Dançar-se.





Legenda: 21 ações para mulheres e plantas. Ciclo de 21 mini-vídeos danças produzidos durante a quarentena de Covid-19. Articulado por Marina Guzzo. Na foto: Giulia e Giovana Sales, Varias plantas no vídeo 5- "Comunidade".




Marina Guzzo



*


Marina Guzzo é artista e pesquisadora das artes do corpo, Marina Guzzo tem pós-doutorado pelo Departamento de Artes Cênicas da ECA-USP e Mestrado e Doutorado em Psicologia Social pela PUC-SP. Professora Adjunta da Unifesp no Campus Baixada Santista, pesquisadora do Laboratório Corpo e Arte e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Dança – N(i)D. Concentra suas criações na interface das linguagens artísticas e a incerteza da vida contemporânea, misturando dança, performance e circo para explorar os limites do corpo e da subjetividade nas cidades e na natureza.




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Referências


BENJAMIN, Walter (1995). Infância em Berlim por volta de 1900, In: Obras Escolhidas II. Rua de Mão Única. São Paulo: Brasiliense. Tradução: Rubens Rodrigues Torres Filho e José Carlos Martins Barbosa. pp. 104-105.

COCCIA, Emanuele (2018). A vida das plantas. Uma metafísica da mistura. Florianópolis: Cultura e Barbáries.

FREIRE, Paulo. (2001). Carta de Paulo Freire aos professores. Estudos Avançados, 15(42), 259-268. https://doi.org/10.1590/S0103-40142001000200013

SPIVAK, Gayatri Chakravorty. (2004) ‘Righting wrongs’, The South Atlantic Quarterly,Vol. 103, 523-581.

SPIVAK, Gayatri. The Spivak reader. LANDRY, Donna; MACLEAN, Gerald (org.). New York: Routledge, 1996.


*


A palavra é vírus

Simultânea e paralelamente à pandemia do novo coronavírus, muitas palavras também ganham a insistência das repetições. A cada segunda-feira, um novo ensaio pensando com as palavras. Quer saber mais sobre a série? clica aqui

Editores: Wander Wilson e André Arias. E-mails de contato: wanderwi@gmail.com / andre.fogli@gmail.com

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