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colônia

gustavo colombini

posfácio por Patrick Pessoa

texto: Gustavo Colombini

posfácio: Patrick Pessoa

nota editorial: Leonardo Araujo Beserra

editora: Barbara Mastrobuono

tradução/versão: Mariana Nacif

projeto gráfico: Maíra Dietrich

ilustração [verso da capa]: Renato Livera

ISBN: 948-85-918226-3-8

série: sujeitodrama

ano: março 2019

páginas: 124

R$ 36,00

leia um trecho do livro.

descrição

Publicação da dramaturgia integral da peça homônima, que teve direção de Vinicius Arneiro e atuação de Renato Livera. Em um monólogo-conferência, um sujeito se esforça para descolonizar tanto sua forma de pensar quanto o próprio pensamento, enquanto conceito universal. Por meio de inúmeras relações tecidas no exercício linguístico e de desconstrução do pensar, o narrador-personagem nos leva ao absurdo, ao mesmo tempo que nos emociona com a palpabilidade de suas palavras.

Colônia é uma dessas palavras emprestadas pelo dicionário para criações análogas ao que o termo remete. Está incrivelmente dispersa entre uma série de conjuntos de ideias: política, sociologia, ecologia, perfumaria, biologia, sociologia. No formato de peça-palestra, o espectador é convidado a acompanhar o desmembramento das acepções da palavra colônia, presenciando um discurso nascido no espaço entre o conceito e a poesia.

Para que a diversidade de definições confluíssem, dois fatos da história brasileira foram catalisadores: a herança colonial do Brasil e a história do Hospital Colônia de Barbacena (MG), hospício onde mais de 60 mil pessoas foram torturadas e mortas ao longo das décadas de seu funcionamento. Um holocausto praticado pelo Estado, com a conivência de médicos, funcionários e da população. A partir de uma análise sintática e morfológica, o espetáculo cria conexões entre os fatos apresentados e reflete sobre forças propulsoras para uma ideia de descolonização, sobretudo do pensamento.

Colônia foi eleita uma das três melhores peças do ano de 2018 na cidade de São Paulo pelo jornal ESTADÃO. Foi indicada a melhor dramaturgia pelo Prêmio APCA - Associação Paulista de Críticos de Arte. A peça-palestra foi sucesso de público e crítica, integrando importantes circuitos das artes cênicas no Brasil e no exterior, como o Festival Santiago Off, no Chile e o FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, em Portugal.

trecho

nota da edição

Colônia, de Gustavo Colombini, inaugura a frente editorial da GLAC edições que se desdobra na investigação de novos textos literários e dramatúrgicos que oferecem relevância pública por seus temas e formatos, pois experimentam a linguagem politicamente. Tanto na dramaturgia quanto em sua encenação, desenvolvidas a partir de um teatro conferencial, Colônia enfatiza uma realidade social histórica ao convidar o leitor e o espectador a acompanhar a evolução de um pensamento voltado às múltiplas designações e diversas acepções da palavra “colônia”. Para que essa variante de definições houvesse confluência, dois fatos catalisadores foram escolhidos: a condição colonial do Brasil – com muitos aspectos ainda em pleno vigor nas dinâmicas e nas mentalidades –, e a história do manicômio “Hospital” Colônia de Barbacena (MG), onde mais de 60 mil pessoas foram torturadas e mortas desde o ano de sua fundação em 1903 até meados da década 1980, com seu fechamento. Ao mesmo tempo, por meio de uma análise sintática, filológica e morfológica, a dramaturgia cria relações de colonização e discute forças propulsoras para uma ideia de descolonização, sobretudo do pensamento. É por conta deste modus, acontecido entre a forma textual – um quase-poema – e a construção de sua especificidade narrativa – o monólogo-aula – que se opera um exercício contínuo de evadir a linguagem do processo de pensar do colonizado. Um desempenho cansativo e instigante que, conforme as referências de criação textual nos mostram, faz dessa dramaturgia uma busca infinita entre a história e a experiência. O texto e seu narrador partem do princípio violento colonial, perpassa a pedagogia em que estamos e viemos sendo submetidos pelo Império até chegar nos espasmos de enlouquecimento gerados pelos esforços ao desgarramento das entranhas invisíveis e profundas da colônia em nossos modos de falar, de agir, de sentir, de querer ser. Agamben diria que a linguagem, com seu poder falar humano, ante a comunicação, resguarda a experiência pura e, com isso, é por si destruidora da história, pois a natura a resguarda. Talvez seja por este caminho contra-histórico que Gustavo Colombini escolhe não se embrenhar em desvendar os porquês psicanalíticos das doenças contemporâneas geradas com os avanços da dominação ocidental. O autor nem mesmo procura fazer compreender quais estágios de precarização social temos alcançado por conta da financeirização de todos os aspectos da vida humana. Aparenta-se, na textura textual, que o pensamento capitalístico se encontra por todos os lados, agarrado ao espírito do pensador, em cada palavra inventada que esse ser-ninguém ousa proclamar a todo instante. O que o dramaturgo realiza ao tentar compreender: fazer o outro sentir a luta em fugir dos braços da colônia, o desespero inconsciente em procurar um exílio mas já se encontrar nele. Na tentativa de aventar duas produções teatrais de pensamento, há distinta contundência teatral relacionada à obra do artista libanês Rabih Mroué. Em Revolução em pixels – apresentada em 2017 na cidade de São Paulo, em ocasião da Mostra Internacional de Teatro (MITsp) –, o artista também executa uma palestra-performance investigando o ato da documentação virtual, relacionando o documento à ideia da morte. Assim como em Colônia, o trabalho citado também desvela a percepção contemporânea de que, como a arte, o conhecimento não é um conjunto de objetos neutros transmitido de forma transparente, mas depende fundamentalmente dos modos de exposição utilizados por seus praticantes. Há uma convergência importante corporificada na prática da palestra-performance: assim como a exposição (seja sob a forma de apresentação, comentário ou análise no estilo acadêmico) altera a apreensão do trabalho artístico e participa do seu processo de criação. Essa mesma exposição tem uma dimensão formal (cênica e narrativa) que não pode ser ignorada. Por fim, como é a linha editorial deste selo, endossamos as relações até aqui construídas por meio de um convite reflexivo, empregado pelo apêndice desta publicação. A contribuição do crítico teatral, dramaturgo e professor de filosofia Patrick Pessoa, Ensaio de descolonização do pensamento: fragmentos críticos em torno da peça Colônia, não apenas vem aprofundar os aspectos de Colônia que a GLAC se interessou em deflagrar, mas tornar sensível o que a arte tem de mais político: a filosofia do presente. O ensaio foi publicado inicialmente no volume X, número 69 de 2018 da revista eletrônica de críticas e estudos teatrais Questão de crítica e incluído nesta publicação. Adentrando um exercício que costumamos chamar de literatura filosófica, Pessoa tece uma epistemologia da dramaturgia de Colombini, apenas não a encerra totalmente porque seu texto não se descola da experiência da representação, da atuação do falar. Daí, o crítico, a nosso ver, realiza uma etnologia da peça em consonância à filosofia da linguagem que o texto e o ator elaboram melhor, pois partem da consciência de colonização.

montagem

entrevista

autor

Gustavo Colombini é dramaturgo e diretor teatral formado pela Universidade de São Paulo (ECA-USP). É autor das peças O silêncio depois da chuva, com direção de Leonardo Moreira, indicada ao Prêmio Shell de Teatro de São Paulo, na categoria de Melhor Autor e Colônia, com direção de Vinicius Arneiro. Integrante e co-fundador do grupo artístico Cinza. 

série

#SujeitoDrama

Um campo que apresenta a ausência de luz. Apenas isso! o título em uma fonte comum, a falta de subtítulo, e o nome dx dramaturgx, esse tal de autxr, dx escritxr literárix, dx inventxr de diálogos e narrativas que nos faz achar que vivemos nossas próprias vidas ao lê-los. São estes elementos num plano brilhante da capa desses livros que nós queremos fazer imaginar quando um desses textos os arrematam. sem paginação, algumas vezes até bilíngue. Com isso, estamos deixando claro que não é a arte que pede um internacionalismo e uma certa confusão, mas é justamente a subversão que ela gera que nos faz desejar compartilhar e duvidar do presente, desse agora que não cala. 

 

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